<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" version="2.0"><channel><atom:link rel="hub" href="http://tumblr.superfeedr.com/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"/><description>“Em vez de amor, de dinheiro, de fé, de fama, de justiça… dêem-me verdade.”
- Henry Thoreau</description><title>Floreios &amp; Borrões</title><generator>Tumblr (3.0; @beardlesshagrid)</generator><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/</link><item><title>Maria</title><description>&lt;p&gt;Cinco e meia da matina. Biblicamente o sol se levanta. O inverno é difícil. Nuvens baixas ofuscam aqui e ali os brilhantes raios de luz, verdadeiros feixes no céu. A cidade em panorâmica tem seus prédios todos revestidos pelo manto branco da neblina do alvorecer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Numa rua distante, muito distante, tão distante disso tudo, de estrada de terra e poste à lampião de querosene, onde mata baldia abriga um barraco no outro – mas que barato! – vem caminhando lentamente uma senhora. De tudo que é nego torto, bandido do caes do porto, ela já viu passar. Segura nos braços um potencial, uma promessa, que de tão preciosa recebe afagos indulgentes na cabecinha, como se eles fossem mágicos o suficiente para evitar o futuro provável despedaço. Tal pedra inda não lapidada se chamava antônio e, atônito, tentava descrever as vastas árvores folheadas de sua vista bucólica, balbuciando uma sílaba ou outra em sua boca de neném. A avó do menino, percebendo o minguo uivado, o apertava contra o farto peito, fardo as costas, fado antigo, forçando-o ao silêncio tácito.  No balancê do braço e passo, no paço do amanhecer, cantarolava entre os suspiros de cansaço: “a vida é boa de viver…”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E a passos largo seguia firme: a rodovia é logo ali, logo mais vemos os prédios e o caminho de há de vir. Um verdinho e um azulão, mais um vermelho e um amarelo. Chegamos com tempo de sobra!: creche e casa do Seu Marcelo. Depois da guerra à casa torna, caminho longo, longo caminho, muitas pedras pertinazes, torna amargo água de filtro.  Dia longo, jornada longa, marmita pronta. Cala a boca com feijão, que precisa ferro pro braço no batente. A neblina do amanhecer quase faz a manhã dar meia volta, mas a indecisão de um pé frio é coisa de cabeça quente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segue a viagem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- E como é que ela chama mesmo? É Odisséia?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Sinto muito, ó poesia! Infelizmente, o nome dela é Maria.&lt;/p&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/50864019332</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/50864019332</guid><pubDate>Sun, 19 May 2013 20:57:20 -0300</pubDate></item><item><title>Photo</title><description>&lt;img src="http://25.media.tumblr.com/tumblr_m63d14OYR91qayqdjo1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/47898941247</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/47898941247</guid><pubDate>Sat, 13 Apr 2013 19:11:40 -0300</pubDate></item><item><title>Photo</title><description>&lt;img src="http://24.media.tumblr.com/ca692a85241f78e3db1ec1ee3d555b30/tumblr_mf1s3zabNm1s0ugnno1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/43345525248</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/43345525248</guid><pubDate>Sun, 17 Feb 2013 18:14:08 -0400</pubDate></item><item><title>Todos os Risos</title><description>&lt;p&gt;&lt;p class="p1"&gt;Vocês são namorados?, perguntou a menina ruiva de oito anos de idade, cheia de sardas na rosto. Quando crescesse, elas seriam um charme.&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt; Eu olhei pra ela, minha namorada, Maria, ela sorriu e levantou os ombros. Somos sim! Eu disse, quase que a desafiando, como se fosse outra criança.&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt; Se vocês são namorados então vocês tem que se beijar! Disse o menino negro, irmão  da ruivinha. Ele riu e olhou pra irmã. Risada de criança é um negócio gostoso.&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt; Eu olhei pra Maria, ela olhou pra mim e nossos lábios se tocaram. Os dois gritaram  um Ui! bem longo e riram alto, sempre se entre olhando. Maria riu, eu também. Todos os risos em uníssono inocente. Faz tão bem&amp;#8230;&lt;/p&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/42327558542</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/42327558542</guid><pubDate>Mon, 04 Feb 2013 23:24:28 -0400</pubDate></item><item><title>urhajos:

Painters on the Brooklyn Bridge Suspender...</title><description>&lt;img src="http://24.media.tumblr.com/tumblr_lqx026Jl2T1qa5045o1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;a class="tumblr_blog" href="http://urhajos.tumblr.com/post/9719260188/painters-on-the-brooklyn-bridge-suspender"&gt;urhajos&lt;/a&gt;:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Painters on the Brooklyn Bridge Suspender Cables-October 7, 1914 (by &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/mopa1/5710937421"&gt;Museum of Photographic Arts Collections&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/42184842418</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/42184842418</guid><pubDate>Sun, 03 Feb 2013 09:47:55 -0400</pubDate></item><item><title>Terra Vermelha</title><description>&lt;p&gt;A casa aonde meu avô morava era grande, rica. Daquelas que tem até chuveiro a gás. O quintal imenso servia de vista para uma varanda ampla aonde ficávamos conversando quando até a noite cair. Governo negligente, imprensa extremamente influente, a burrice do dia-a-dia, como nós não éramos nem um pouco alienados eram alguns dentre os vários outros assuntos que permeavam aquelas conversas. Os dias eram todos longos e, por mais improvável que pareça, pouco cansativos. Levantar, comer, conversar, digo, reclamar, e comer de novo, e dormir para acordar e repetir a rotina, era o que fazíamos nas férias de interior. Apesar de monotonia, falta pelas responsabilidades não se faziam presentes. Por isso mesmo é que nem sabíamos de qual dia da semana tratava-se.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Êta vida besta, meu Deus.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Meu avô, depois da soneca que tirava ao meio do dia, sentava-se na varanda com um livro baixo do braço e lia até a proximidade da janta. A lentidão bucólica e seca do campo me faziam ficar ao seu lado, como aquele cão amigo, sem exprimir som algum. Quando ele tinha vontade, trocávamos palavras um com o outro. Normalmente me falava do livro que estava a ler. Perguntava-me, sem notar a imaturidade dos meus oito anos de idade, se já havia o lido. Eu dizia que não, mesmo que precisasse mentir. Tudo isso só pra ouvir quais as impressões dele sobre as obras, o que achava daquilo que lia. Eram sempre comentários inteligentes, bem traçados à cerca da forma e da maneira que o autor lidava(ou que desconhecia) dos problemas que retratava.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Bons tempos…&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A terra era vermelha, tão quanto o sangue que jorra de um corte profundo. E tal qual o sangue, gruda na pele, nas roupas e não sai. Um terror para minha vó, para minha mãe, para as minhas tias, incumbidas da tarefa de lavar a roupa. Meu avô dizia que a terra sangrenta era assim por causa do sangue derramado nas épocas em que o lugar era esquecido por Deus e pelos homens. Um lugarejo sem leis aonde um derramamento de sangue era tão comum quanto inspirar e expirar. As pessoas do lugar diziam que com a chegada da lei e do governo e sanguinolência havia terminado. Meu avô só dizia que saíra de moda.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um dos dias, não sei qual, sarneei ao lado de fora da casa pela tarde toda, sujando meus pés e minhas roupas com o sangue da terra. À chineladas no traseiro fui mandando ao chuveiro com pressa, antes que sujasse mais a casa. A água pressurizada caia no meu crânio e era um prazer. O azulejo branco do chão já estava todo vermelho. Meus pés e meu corpo, branco como era naquela manhã. Como em todo banho que tomo, meditei por alguns minutos e olhei para cima. No teto, imóvel, quase camuflada, a lagartixa me encarava. Ela não se movia, era quase como se estivesse morta. Acumulei água entre os dedos e taquei para cima, para que fossem de encontro ao ser. E foram, ao menos eu acho, e mesmo assim, ela permaneceu lá. Imóvel. Nem piscar, piscava! Fiquei desinteressado e deixei pra lá. Durante os outros dias, nem lembrava mais dela. Ia tomar banho e nem tomava conhecimento de saber se ela estava ali parada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Num desses dias quaisquer, dava pra ver o sol se pondo da varanda. Eu sentei ao lado do meu avô, no chão. Ele naquelas cadeiras de fio com a almofada de sempre olhava para o orizonte. Casa com a face oeste é algo bom! Se algum dia for comprar uma casa de varanda, com toda certeza comprarei com face oeste. Eu havia terminado de lavar a louça da janta. Minha avó estava na sala com as outras mulheres, vendo novela. Meu pai e meu tio haviam saído na hora do almoço e não voltaram até aquele momento. Meu avô estava vestido de forma diferente. No bolso da camisa estava o distintivo de delegado que ele não usava faz muitos e muitos anos. No cinto, dava pra ver o coldre com o revólver. Ele dava um trago no cigarro quando eu o perguntei.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Pra que tá com revolvi, vô?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Nada não, guri. – ele dizia por trás daqueles óculos fundo de garrafa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Cadê o pai e o tio?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Teu pai foi resolvê uns problema.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- E quando é que ele volta?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Não sei se avolta hoje… – Ele olhou pra mim no fundo dos seus olhos, com suas bochechas caídas. Estava quase por chorar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fiquei ao seu lado até o anoitecer. O jardim da frente já estava todo prateado com a luz da lua. Vagalumes iam de lá pra cá. Peguei cinco e coloquei dentro de um pote de requeijão vazio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Vagalumes me alembram a minha época de guri. – Ele disse com a voz rouca. – Lembra também a época do teu pai. A gente tem que ser bom negociador se quiser se dá bem. Você nota quando alguém é bom negociador desde criancinha. Quando já tem teu tamanho assim, tá vendendo e trocando coisa por outras, sabe? É meio “escambal”, mas já mostra que ela é aprumada pro negócio. – Ficamos alguns minutos em silêncio. Um homem passou. Ele abaixava a cabeça e levantava-a, como que nos observando. – Tá vendo aquele homi andano ali? É o Joaquim!… – Meu avô suspirou – Eu fico impressionado! Como esse povo é incherido! Parece até que não tem a própria vida!… As vezes eu penso que isso é coisa d’interior. É como dizia o poema: “Devagar… as janelas olham.” É uma vida besta mesmo. De quem não tem mais o que fazer…&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Minha mãe me chamou pra dormir lá de dentro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Agora se alevanta. Vai durmi que isso não é hora de criança tá de pé.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu o obedeci. Não era louco para fazer o contrário.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na hora de dormir, eu era o único do sexo masculino no quarto. As mulheres, minha prima mais velha, minha mãe, minha avó e minha tia pareciam todas preocupadas. Conversavam sobre algo que eu não me lembro mais. Só me lembro que era algo sério. Minha mãe acariciava meus cabelos e vez ou outra dava alguma opinião. Meus pés iam se aquecendo, fazendo magicarias em cima das minhas pálpebras, lutando para que elas também viessem a altura baixa do chão. A última imagem que tenho na mente antes de dormir é a de minha avó com os olhos cheios de lágrima, os limpando devagar depois de tirar os óculos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na manha seguinte, acordei antes de todos. Abri meus olhos. A luz entrava pelo vidro grosso da janela. Alguma poeira indo que parecia subir ou descer sobre os feixes de luz. A casa estava um silêncio. O ácaro do colchão coçando minhas costas, o cheiro forte de naftalina no ar. Tudo culminava para uma manhã normal, para um café quente, para um pão fresco. A única coisa que me atormentava era a imagem do dia anterior: meu avô na varanda, com a arma no coldre e desgosto nos lábios.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Era por volta de cinco e meia da manhã, havia acabado de amanhecer. Na cozinha, tomei um copo de água gelada. Minhas costas estavam suadas. A porta da frente estava aberta e meu avô já estava sentado à cadeira olhando para baixo. Ele era sempre o último a dormir e o primeiro a acordar, mas nunca pensei que acordasse tão cedo. Comecei a caminhar em sua direção. Era estranho, a porta a porta aberta, a cortina da janela fechada. Fui me aproximando cada vez mais. Era impressionante! Meu avô não notava minha presença! Ele que se orgulhava de aos setenta anos ter uma audição tão aguçada. Quando consegui pôr fim por meus olhos na varanda é que identifiquei o sangue no chão. É que identifiquei a mão suspensa e morta e o olhar vazio que meu avô dava aos jardins. O revólver estava fora do coldre, esparramado no chão. Ele tinha um buraco no peito, na altura do coração. O antigo distintivo estava vermelho. A camisa azul estava encharcada. E os olhos imóveis, os olhos imóveis com a boca caída. A barba mal feita e os olhos imóveis e a boca caída. Ele me pegou de surpresa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao vê-lo com todo aquele sangue no corpo me lembrei de uma bronca que ele me deu – minhas orelhas nunca foram as mesmas depois daquele dia – quando pisei com meus pés descalços e cheios de terra sangrenta em uma das paredes brancas da casa. Dei uma pequena risada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Olhei para o chão e identifiquei um ponto que não estava sujo de sangue. Sentei-me ali vendo o sol nascer com meu avô do lado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma vizinha passou de repente. Largou o pacote com compras que carregava e veio correndo até a varanda. Lá dentro ligou para a polícia e acordou minha avó. Vendo aquela mulher, toda intrusiva  mexendo nos nossos móveis como se fosse dona do lugar, olhei para o meu avô. O olhar dele havia se deslocado. Ele olhava pra mim! Ele olhava pra mim e esboçava um sorriso, como se estivesse achando a situação bastante engraçada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu acho que, de fato, era mesmo.&lt;/p&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/42149938227</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/42149938227</guid><pubDate>Sat, 02 Feb 2013 22:06:21 -0400</pubDate></item><item><title>Refém de mim</title><description>&lt;p&gt;&lt;pre&gt;Um 38 nela
um 38 em mim

um cano na cara dela
uma arma apontada pra mim

- Eu te amo - eu disse
- Eu te amo - ela também

enquanto eu fazia refém dela,
ela fazia refém de mim&lt;/pre&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/42050224731</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/42050224731</guid><pubDate>Fri, 01 Feb 2013 18:31:46 -0400</pubDate></item><item><title>an-art-and-soul-portrait:

Salvador Dali - The Ship
</title><description>&lt;img src="http://24.media.tumblr.com/tumblr_me7fgfTOSR1rm3gr2o1_500.png"/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;a class="tumblr_blog" href="http://an-art-and-soul-portrait.tumblr.com/post/36740643293/salvador-dali-the-ship"&gt;an-art-and-soul-portrait&lt;/a&gt;:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Salvador Dali&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;The Ship&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/41831562284</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/41831562284</guid><pubDate>Tue, 29 Jan 2013 22:03:22 -0400</pubDate></item><item><title>Incêndios, compaixão e sensibilidade</title><description>&lt;a href="http://victoralfons.wordpress.com/2013/01/29/incendios-compaixao-e-sensibilidade/"&gt;Incêndios, compaixão e sensibilidade&lt;/a&gt;: &lt;p&gt;Pra quem quiser ver quais são as minhas opiniões sobre o incêndio em Santa Maria.&lt;/p&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/41828381861</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/41828381861</guid><pubDate>Tue, 29 Jan 2013 21:25:51 -0400</pubDate></item><item><title>Pirronismo e o suicídio</title><description>&lt;p&gt;&lt;em&gt;A noite escura se esvaece, as estrelas no céu dizem, adeus!, e a lua já escondeu atrás da copa das árvores. Partida mais triste essa… O sol, aquele ditador que deu o golpe enquanto todos dormiam, levanta mais uma vez de cabeça quente. Coitada da escuridão!, censurada pela luz inibida de um sol nascente! A noite é uma poesia de poucas horas… &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ligue pra CVV, eles dizem. Não vai doer, eles não vão julgar. Até hoje não sei se aquilo ali se chama centro de valorização da vida ou como vai você? Qualquer uma das duas me enoja. – Eu quero morrer! E eles não respondem nada. Só perguntam o porque, como se fossem um ombro amigo, como se te conhecessem, como se fossem um ombro pra você chorar em cima.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um cão sem dono na praia olhando o mar, procurando o alguém que o deixou ali. Bate onda e bate a saudade no peito besta daquela besta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Vai cagar na areia!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Olha o bicho geográfico!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Não meche com isso aí que ele morde!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E o cachorro sozinho na praia só falta enterrar o focinho na areia pra ver se não respira mais. Passa um surfista, uma criança, uma praga dessas qualquer, tenta acarinhar a cabeça peluda, mas ele nem da bola. Dá umas entradas na água, depois volta e chora. É só de dia pra ver essas coisas. A noite a coisa é diferente. Eles apagam a luz da areia, você olha pra cima e vê só as nuvens. A água está quente e a areia fria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- É porque não tem gente! Com calor de gente a areia esquenta!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Veranista burro do caralho. – Nem é, é o orvalho! – puta merda!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nem falo nada que se falar é arrogância.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- É bom descarregar os pés na areia, sentir essa energia indo embora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não sei vocês… já fui eletricista, passei muita fiação em parede… nem falo nada.a&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O rapaz não tinha um dedo na mão. O indicador era o que faltava. O que não faltava vontade de usar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Você vai encontrar Deus, amigo. Todo mundo encontra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Bota na balança. Perdeu um dedo mas podia bem ter perdido a língua.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Passa na cabeça começar com um “minha mãe costumava dizer” ou “quando eu era criança meu avô vivia repetindo”, mas vá pra puta que pariu com a memória! Não levam a lugar algum. Fluxo da mente expresso ali: no papel! Vaivém dos pensamentos. Faz-se sim uso da memória. Mas memoria explorada na primeira pessoa, contando qualquer merda romanceada que aconteceu um dia qualquer, isso sim é besteira. Se escritor tem que saber mentir pra contar qualquer coisa aí sim ele não é escritor. Tem que ser verdadeiro! Mesmo sendo mentira, tem que ser verdadeiro! É o meu grande problema. Terminei qualquer merda esses dias, um que eu estava trabalhando por bem uns seis meses, um ano. Resultado: lixo em palavras. A ideia bacana muito mal executada, como sempre. Não presto pra terceira pessoa. Pra pessoa alguma, as vezes penso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas liga a cabeça aí, você liga a televisão de manhã, ou a noite enquanto está debaixo das cobertas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Não vou ver BBB! Essa putaria na televisão! Isso é muita putaria! Não acrescenta nada. Já está de volta passando essa porra!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao invés, como diria o vídeo, o tele-encéfalo altamente desenvolvido usa o polegar opositor pra mudar de canal! Impressionante! Domingo a tarde, bolinha passando na televisão. Nos reclames daquele gordo de bosta passa a pelada! Qualquer time contra qualquer time! – Juiz ladrão – Filho de uma puta! – Puta que pariu! – Mas que bichinho lazarento! – Também, não chuta! – Eu sabia! – Arrombado! – e a coisa segue. – Foi um jogo bom no fim das contas. – desliga a globo, dá um gole na cerveja. – Agora assim, meu cérebro está completamente satisfeito!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por isso a noite é melhor. Quando não é no Japão, não tem jogo passando, não tem cachorro sem dono, só tem bêbados falando merdas – e não porque são bêbados! Putas por aí. Uns moradores de rua lutando os ouvidos contra algum carro que passa ou contra o fogo no cobertor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Quando é que chega esse madrugueiro?! Quero ir pra casa!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Que não chegue é nunca! Mas não dá. O madrugueiro é como a noite. Do jeito que vai: volta!&lt;/p&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/41762195413</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/41762195413</guid><pubDate>Tue, 29 Jan 2013 00:26:21 -0400</pubDate></item><item><title>Tirei meu pau pra um defunto outro dia</title><description>&lt;p&gt;&lt;pre&gt;Tirei meu pau pra fora
vendo um defunto outro dia.
O defunto era velho
e já nem fedia.
Mas tirei meu pau pra fora
com a alma toda arredia.
E com que ardência
meu pau ardia.

O sangue descendo os braços
O morto com todos os pedaços
olhando pra cima, no corpo só trapos...

Ah, eu tive que tirar meu pau pra fora esse dia
puxar pra fente e pra trás pra ver se curtia.

E curti.
De joelhos na missa
eu me iludia.
O padre falava e eu nem ouvia.
E o povo cantando pra ave maria,
e meu pau gozando pra cristo,
mas que alegria!&lt;/pre&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/41225454188</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/41225454188</guid><pubDate>Tue, 22 Jan 2013 18:33:21 -0400</pubDate></item><item><title>lonesomelacowboy:

Meditative Rose, 1958
</title><description>&lt;img src="http://25.media.tumblr.com/tumblr_me65qrFsIM1qehd6xo1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;a class="tumblr_blog" href="http://lonesomelacowboy.tumblr.com/post/36694501080/meditative-rose-1958"&gt;lonesomelacowboy&lt;/a&gt;:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Meditative Rose&lt;/em&gt;, 1958&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/40471626088</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/40471626088</guid><pubDate>Sun, 13 Jan 2013 19:54:02 -0400</pubDate></item><item><title>O cheiro do mijo</title><description>&lt;p&gt;&lt;span&gt;As vezes, vai saber!, você só se toca quando sente o cheiro fedido do mijo subindo aquele azulejo e machucando as narinas. Mas as vezes é mais fácil: você está lá, sentado no ponto de ônibus e vê uma bundinha gostosinha atravessando a rua. A mão começa a suar, e aquela gota de suor gelado começa a descer pela nuca, quase que riscando você como o dedo daquela puta. Quando o ônibus chega a rotina grita que é hora de subir nele, mas a vontade de subir naquela bunda, naquele rabinho escondido debaixo daquele jeans apertado é tão maior que aquela paudurecência enfiada na braguilha é tão maior, tão mais estrondosa que nem te deixa levantar. Que rabo! você diz. E depois medita sobre aqueles glúteos, sobre a forma deles, sobre a cor e o formato daquela boceta que passou tão perto de você. O cabelo vermelho, pegando fogo, mas será que aquele cuzinho seria tão rozinha quanto os lábios? Será que os lábios são tão sedutores quanto aqueles lábios? E você você almeja que o sopro daquela vagina tão bonita entre nos teus ouvidos cantando um acalanto numa noite de chuva. Quer que aqueles peitinhos virem seu travesseiro nem que so por uma noite. E quando você vê, está sentado vendo o chefe quase se engasgando com a própria garganta. Aquele pomo de adão subindo e descendo, as carótidas saltadas que parecem querer pular pra fora dele e te encher de porrada! Mas mesmo assim, mesmo com aquele par de sobrancelhas arqueadas, com aquelas duas pérolas negras pegando fogo no lugar dos olhos, a sua cabeça não sai daquela bundinha tão bem colocadinha se mexendo a paços largos no meio da praça. As vezes você está com um livro de anatomia na mão e o cérebro parece querer te sacanear: ao invés de ‘gene’ você lê ‘geme’. Ou então o peitinho saltado pra fora naquela foto de acidente de carro é mais do que suficiente pra te deixar de pau duro. Tudo bem que &lt;/span&gt;&lt;em&gt;só&lt;/em&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;em&gt;um&lt;/em&gt;&lt;span&gt; peitinho, mas puta que o pariu, como é lindo! Morreu com o mamilo eriçado! Só imagino o que tipos de sacanagem estava acontecendo antes do carro capotar. Bem que podia ser eu no lugar do motorista! você diz, sem se tocar que neurônios podem sim funcionar em um corpo sem cabeça. Você passa algumas fotos e vê o motorista, noivo do cadáver, com a cabeça cavada nas próprias mãos, chorando como criança que bateu o joelho. A coriza no buço do filho da mãe é anta que reflete a luz do flash. E FLASH! um momento de silêncio. você pensa mais um pouco, sente um remorso no peito, tá até considerando a ideia de chamar teu coração de empatia, mas depois de respirar fundo a constatação continua a mesma: como valeria a pena estar no lugar do motorista! Ou então, você sente o cheiro de mamão queimando no microondas, ou aquela pontada na uretra: nada melhor para limpar todo aquele semen: urina. Daí você sente aquele cheiro forte do mijo e do gozo que parece queimar a louça do banheiro e também seu olfato. Então você pega o telefone e liga pra uma bundinha de um site de acompanhantes, muito parecida com aquela que você viu rebolando sem querer outro dia e que até então não saiu da sua cabeça. Ela vem dali uma hora. No meio tempo você lava as mãos, pega um caderno velho e começa a escrever a primeira coisa que te vêm na cabeça: aquele cheiro forte e fedido de mijo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/40471567266</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/40471567266</guid><pubDate>Sun, 13 Jan 2013 19:53:20 -0400</pubDate></item><item><title>Conversa Casual</title><description>&lt;p&gt;&lt;span&gt;Uma praça, uma palácio de governo, uma esquina, um apartamento no centro, uma mansão no bairro nobre, uma sarjeta cheia de mendigos, uma construção de pedreiros, um salão de beleza, um estúdio de maquiagem, uma festa de adolescentes, um carro no meio do trânsito, o trânsito, os pedestres na calçada, debaixo do MASP, numa fonte de água no centro, numa fonte de água, no poço sem infindo de uma chácara, Mas por que é que eles fazem esses paus de borracha serem tão grandes?, o pinto médio brasileiro é bem menor!, olha o tamanho dessa coisa!, É pra não causar nenhum tipo de acidente…, você ficaria impressionada com o tanto de coisas que as pessoas insistem em enfiar no cu ou na própria boceta!, é simplesmente a maneira mais segura de meter pra dentro sem correr risco da coisa ficar lá, sacou?, Interessante!, eu não sabia dessa história., mas e aqueles outros menorezinhos, as vezes translúcidos?, O que você deve notar é que os menorezinhos tem duas cabeças, uma pro cu e outra pra vagina, como não dá pra rasgar de um até o outro, continua sendo seguro., E aquelas bolinhas em fios?, Aquelas são interessantes, elas servem pra incrementar durante o sexo oral, o vaivém das bolinhas serve pra intensificar os sentidos na região, Você já viu um negócio pequeniniho assim?, meio compridinho, sei lá!, Como assim?, Parece um cartão de visitas, deve ter o tamanho da minha mão, é cor de pele e possui umas saliências que estão ligados num tipo de controle por fio, Ah!, sei do que se trata!, aquilo é um vibrador., Ah é?, Uhum, pra usar ele existem duas maneiras, ou a mulher coloca na calcinha e dali controla a tração do negócio, ou usa tipo um daqueles cavalos com alça de olimpíada, sabe? só que sem alça, né, Uhum, mas serve pra quê?, A mulher posiciona a vagina bem em cima dessas saliências que você indicou, pelo controle que pode ser com fio ou sem fio, nos mais caros, ela controla a intensidade da vibração, É bom porque é discreto, a mulher pode usar no trabalho se quiser!, Exatamente!, o negócio tá lá, por debaixo da calça, ela pode usar até numa reunião de trabalho, mas acho que isso daí é muita loucura, Demais! loucura mesmo são uns vídeos que eu achei, o cara chega a meter o braço pelo cu da menina, Temos um nome pra isso aqui: prolapso anal!, Na boa, não há cu que aguente…, mas vem cá!, você já viu aquela história do cara que foi com uma garrafinha de vidro enfiada no cu pro hospital?, Mas é claro!, essa é clássica!, diz, quem trabalha no PS noturno que isso é o muito comum, mas eu duvido muito, E por quê?, Porra!, não tava te falando agora do porque desses paus de borracha serem tão grandes?!, o povo não é tão doido assim, porra!, É, acho que você tem razão…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/40318642518</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/40318642518</guid><pubDate>Sat, 12 Jan 2013 02:16:09 -0400</pubDate></item><item><title>Photo</title><description>&lt;img src="http://24.media.tumblr.com/7f197440535c1932bb667bc266d4eeed/tumblr_mf224lsK871rjg1qso1_500.gif"/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/40318622233</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/40318622233</guid><pubDate>Sat, 12 Jan 2013 02:15:47 -0400</pubDate></item><item><title>reservoirrr:

dali maldoror
</title><description>&lt;img src="http://25.media.tumblr.com/tumblr_me7aj2628X1r8r1vuo1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;a class="tumblr_blog" href="http://reservoirrr.tumblr.com/post/36736823613/dali-maldoror"&gt;reservoirrr&lt;/a&gt;:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;dali maldoror&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/38833848313</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/38833848313</guid><pubDate>Tue, 25 Dec 2012 22:21:47 -0400</pubDate></item><item><title>o tange tingir das nuvens</title><description>&lt;p&gt;&lt;span&gt;Foi naquele momento que Afonso olhou pro céu e percebeu as nuvens pintalgadas de laranja, Amor!, vai dar sol amanhã, Como é que você sabe?, perguntou com o tom de permuta, com sua voz de puta de amor suado, Meu pai costumava dizer que quando o sol tingia as nuvens nesse tange tom, titilando o vento que tenteia a terra marrom grudada qual lama na cara do trabalhador, o sol não vem nada timorato, e ofende a pele do povo pobre, que não tem sombra nem filtro, tão quente que faz fazer permuta por água morna…, mas isso era meu pai!&amp;#8230;, dizia isso quando o tempo era outro, quando a gente inda achava que o carmesim encarnado dessa terra roxa era o sangue dos homens que morreram à longo, e não o depósito vulcânico de muito antes da América inda ser índia, e ainda antes dos índios e de Ulisses, Você aí falando de Ulisses, mimosas e religião, deixou passar o pintalgar das nuvens, tudo culpa de reflexão, E depois disso Afonso pensou em não mais pensar em nada, pensando que o pintalgar das nuvens era coisa de um dia só, quando mudou-se pras praias do Chile, vendo o sol se pondo ao norte e as cordilheiras no leste, foi naquele momento que percebeu o mar pintalgado de laranja, Olha essa tange mar!, a promessa de Penélope, o crochê sendo desfiado, e o destino, desafiado, desconhecendo os desastres desse mundo, dando um tom nesse negro infinito e muitos cálculos para os matemáticos, o raio da terra representa o apagar esse gigante, essa ilustre ilusão, que fez perceber que é laranja o nosso planeta, Você falou demais, agora já foi, se não olhasse pro mar, veria que as nuvens também estavam pintalgadas, E ao olhar pro céu, só viu as nuvens refletindo o mar, e o interior, negras como o capô de fusca de muitos anos, a lua fazendo papel de clitóris, e voz do amor de puta suado soando no ouvido o fracasso assinado, Afonso nunca mais disse nada, o pintalgar das nuvens é coisa de uma vez só, cortou a própria língua na mesma noite, e no dia seguinte, quando percebeu as nuvens estavam pintalgadas de laranja, perdeu o espetáculo, escrevendo notas no caderno que guardava no casaco, “o tange tingir das nuvens, não coisa de um dia só, apesar de só hoje, se repete por todo mês de dezembro e janeiro, pensei em nunca mais pensar, mas o pintalgar laranja é tão comum quanto gente, e tão besta também.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/38833740595</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/38833740595</guid><pubDate>Tue, 25 Dec 2012 22:20:20 -0400</pubDate></item><item><title>Maré</title><description>&lt;p&gt;Vai saber se queria chegar tão alto quanto Von Braun, ou ser a primeira mulher a gritar que no fim das contas era tudo azul, Meus amigos! É Azul!, tudo que se pode concluir vem em advento do sonoro sobrenome que carrega: Pescador. Quem diria que uma possível tradução mal feita de &lt;em&gt;F&lt;/em&gt;&lt;em&gt;ischer &lt;/em&gt;poderia dar tanta sonoridade para um sobrenome em nossa língua? E é aí que está a beleza, entende? Está na falta de uma ambição tão grande quanto a de um Victor Hugo ou… sei lá… Marcos Pontes. Não sei dar bons exemplos para o que quero dizer, mas o mais importante é que tudo se trata de uma impressão, de um preconceito. É só o nome, Pescador, que soa pouco ambicioso e – aí é que está a mágica da coisa – tão grande. Eis a minha teoria: a grandeza das coisas se encontra justamente nessa falta de ambição, nessa aparente falta de ambição, na simplicidade dos nomes e coisas. Nada de nomes difíceis como Hoishman, Friederichsen, Hofstadter, Eisenhower, Schopenhauer, Nietzsche, Schrodinger, Hoffman, Stóick, Cagliari, Modigliani, Foucault, Velásquez, Lispector, Leminski, Bukowski, Palahniuk ou qualquer coisa complicada que trava na língua e na pena. O negócio está na simplicidade dos nomes: Machado, Azevedo, Coelho, Veloso, Bonita, Amoroso, Paixão, e até mesmo Pescador. A coisa tem que estar ali, no cotidiano, na “bonitez” das palavras cotidianas. Nada de dobrar a língua ou falar com uma batata quente na boca. Dvörak, se pronuncia Divoráque. Esse é ponto. Não é se a menina do nome Pescador quer voar alto ou não, mas sim de a gente ter que torcer todos os músculos da boca pra sussurrar Armstrong ou Gagarin. Por isso é que eu, como autor, com toda a minha audácia e arrogância de me comparar a todos esses sobrenomes difíceis, decidi mudar meu nome pra algo mais brasileiro: Afonso Maré.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ass: Victor Alfons&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;mas voltando àquela menina de sobrenome Pescador, eu conheço ela, já conversei com ela algumas vezes e posso concluir, com base numa lembrança, que ver o sol nascer na praia, como se ele não tivesse apagado quando entrou em todo aquele mar pra iluminar os peixes, é uma visão bem privilegiada. E simples.&lt;/p&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/38424848959</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/38424848959</guid><pubDate>Thu, 20 Dec 2012 20:59:34 -0400</pubDate></item><item><title>Photo</title><description>&lt;img src="http://24.media.tumblr.com/tumblr_me9yucwJX81qfgxk4o1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/38183144063</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/38183144063</guid><pubDate>Mon, 17 Dec 2012 20:04:11 -0400</pubDate></item><item><title>O Velho</title><description>&lt;p&gt;&lt;pre&gt;Lancei-me otimista
às palavras de cabelo grisalho
esperando um ensaio pensado,
palavras cheias de vida por trás,
algo.

E o cabelo grisalho lançou 
da embriagues de seus lábios
da tontura de seus ouvidos
do labirinto de seu ser
aturdido com a idade

"Sinto saudades de uma bocetinha
uma bocetinha novinha,
rosada, uma boquinha aberta
molhadinha
na minha boca,
na minha boca de fumo
me abraçando, me prostituindo
como uma mãe."

Fechei meus ouvidos
atordoei meu ser
ao lançar-me com vigor
pensava comigo mesmo

E quando voltei pra mim,
quando pus-me a escrever qualquer coisa
é que vi as rimas dessa saudade
é minha ou é dele
a melhor-idade?&lt;/pre&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/38183093430</link><guid>http://beardlesshagrid.tumblr.com/post/38183093430</guid><pubDate>Mon, 17 Dec 2012 20:03:33 -0400</pubDate></item></channel></rss>
